Diário da Rússia

Tecnologia

Corrida espacial – da disputa à cooperação

Futuro da exploração do espaço envolve até instalações extraterrestres

[Artigo especialmente escrito por Nikolai Alionov para o suplemento “Gazeta Russa”, que circulou com a edição de 28 de março da “Folha de S.Paulo”.]

Às vésperas de comemorar os 50 anos do primeiro voo espacial tripulado, no dia 12 de abril, a Rússia tem mais um motivo para celebrar a façanha de Yuri Gagarin: o que antes era Guerra Fria com os Estados Unidos, hoje é uma parceria mais do que consolidada em vários terrenos, especialmente na pesquisa espacial.

A Soyuz em sua plataforma de lançamento de Baikonur, no Cazaquistão: nave transporta as tripulações da Estação Espacial Internacional

Com a desativação progressiva dos ônibus e naves espaciais, os Estados Unidos firmaram acordo com a Rússia – mais especificamente entre NASA e Roskosmos, a Agência Cósmica Russa – para o transporte em naves Soyuz dos astronautas norte-americanos até a Estação Espacial Internacional e para a realização de outras missões espaciais. O que era simplesmente inimaginável desde o fim da Segunda Guerra Mundial até a última década do século 20 transformou-se numa realidade de cooperação logística, tecnológica e científica.

Quando Yuri Gagarin iniciou a sua missão de dar uma volta ao redor da Terra, às 9h06min da manhã de 12 de abril de 1961, mal poderia supor que Rússia, Estados Unidos e o mundo inteiro, 50 anos depois, iriam celebrar a sua façanha como único tripulante da nave Vostok. Aos 27 anos, um Yuri Gagarin orgulhoso comemorava os 108 minutos de permanência no espaço e o retorno à Rússia, na chegada à província de Saratov.

Naquele momento, Gagarin era a prova maior de que o homem acabava de superar os seus limites. A Terra já não bastava, e era preciso explorar e sondar o espaço.

 

Durante alguns anos, Rússia e Estados Unidos ainda tentaram rivalizar na corrida ao espaço, mas hoje a rivalidade está superada, como afirma o diretor da Roskosmos, Anatoli Perminov. Em entrevista à Rádio Voz da Rússia, Perminov declarou que “o futuro está na cooperação mútua, e este futuro será de instalações industriais automatizadas para mineração e processamento de minerais nos satélites do sistema solar e estações de energia que alimentem tanto a indústria espacial quanto a Terra. Como consequência, a produção industrial será transferida do nosso planeta, e a biosfera da Terra será limpa e restaurada”.

Yuri Gagarin, o pioneiro das viagens espaciais e de todo esse avanço tecnológico preconizado por Anatoli Perminov, morreu em 1968, aos 34 anos, quando se preparava para a sua segunda missão espacial. Ele fazia treinamentos num avião militar quando o jato caiu, provocando sua morte instantânea.

Sepultado na Praça Vermelha junto ao Mausoléu de Lenin, Gagarin é tratado até hoje como herói nacional, e a data de sua viagem ao espaço, 12 de abril, ficou consagrada como Dia do Cosmonauta ou Dia da Cosmonáutica em toda a Rússia.