Diário da Rússia

Economia

Drogas comprometem quadro econômico global

Diretor do Serviço Federal russo de Controle de Drogas alerta autoridades mundiais

O problema do tráfico de drogas e a negligência ao assunto são parte das causas da atual crise financeira global, disse o diretor do Serviço Federal russo de Controle de Drogas, Viktor Ivanov. A questão foi discutida pela primeira vez no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, realizado de 26 a 28 de janeiro.

A presença de um policial daquele serviço no Fórum surpreendeu seus membros permanentes, economistas e financistas. No entanto, Ivanov já esperava tal estranhamento. De acordo com ele, os especialistas financeiros no mundo não percebem ou entendem a influência que a produção e o tráfico de entorpecentes têm sobre a economia global. Segundo dados oficiais compilados por pesquisadores da Organização das Nações Unidas (ONU), mais de US$ 500 bilhões estão envolvidos na fabricação de drogas e sua venda. Mas esta quantia é apenas a oficial, aproximada.

Viktor Ivanov afirmou que esses números só refletem os rendimentos dos grupos criminosos ligados à indústria, enquanto o dano que inflige sobre a economia internacional é dez vezes maior. "Estas substâncias geram males graves à saúde, afetando também a segurança pública. Uma análise da natureza da crise global mostra que a economia real é vítima de uma bolha especulativa financeira que está sujeita a muita discussão, bem como de dinheiro da droga".

O diretor do Serviço Federal russo de Controle de Drogas vinculou a crise da Zona do Euro ao crescimento da produção de drogas no Afeganistão. "Nos últimos dez anos, o consumo de heroína afegã na Europa cresceu dez vezes, enquanto o mercado de cocaína da América Latina apenas duplicou. Esta é a arma perfeita de drogas contra o euro", disse Ivanov.

"Atualmente, segundo as estatísticas oficiais, o mercado de entorpecentes ilícitos da União Europeia (UE) é estimado em mais de US$ 100 bilhões. Este número dobra quando se leva em conta o volume de negócios movimentado com a venda de drogas", chamou atenção o diretor do Controle de Drogas. Ele observou ainda que se fossem calculados os efeitos adversos que essas substâncias têm sobre a economia, as perdas atingiriam entre US$ 600 bilhões e US$ 700 bilhões. "Esse montante é comparável com a parcela atribuída pelo Banco Central da UE para apoiar as economias durante a primeira onda da crise em 2009", acrescentou.